Canabis e medicina, velhas amigas...
- Pedro Barzan
- 13 de jul. de 2025
- 2 min de leitura

A canabis é uma planta de uso milenar. Com origem na Ásia Central — especialmente nas regiões que hoje correspondem ao Cazaquistão, oeste da China e Índia — ela vem sendo utilizada, de forma empírica, desde pelo menos 2.000 anos antes da era comum (AEC) para tratar diversas afecções humanas e além de suas aplicações medicinais, a canabis também desempenhou papéis religiosos e espirituais importantes em várias culturas.
Entretanto, com a guerra às drogas promovida pelo governo dos Estados Unidos no século XX, o mundo ocidental fechou os olhos para os benefícios da planta. Fomos cegados pela venda do preconceito e ganância. Todo o seu potencial terapêutico foi soterrado sob o peso da desinformação.
Apesar disso, a ciência continuou avançando. E o que antigos chineses, egípcios, gregos, romanos e árabes já sabiam por meio da observação empírica da natureza, hoje conseguimos comprovar com evidência científica.
Descobrimos o sistema endocanabinoide. Estudamos e popularizamos moléculas como o CBD (canabidiol) e o THC (tetrahidrocanabinol). Uma das primeiras aplicações mais conhecidas do CBD foi no tratamento da epilepsia refratária — aqueles casos difíceis de controlar com os medicamentos convencionais.
Atualmente, já temos evidências científicas do uso medicinal da canabis no tratamento de várias outras condições, como: dor crônica, transtornos do espectro autista (TEA), TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade), transtorno de ansiedade generalizada (TAG), insônia (distúrbios do sono), doença de Parkinson, doença de Alzheimer e até sintomas relacionados ao câncer, como náuseas e perda de apetite.
Essas condições podem ser tratadas com canabinoides porque essas substâncias interagem com um sistema muito especial que existe dentro de cada um de nós: o sistema endocanabinoide.
Ele é, essencialmente, o “sistema de canabinoides interno”. Ou seja, seu próprio corpo também produz canabinoides — e esses são chamados de endocanabinoides. O exemplo mais conhecido é a anandamida, uma molécula especial que atua na regulação da dor, humor, apetite e memória.
A anandamida também tem um papel importante no sistema de recompensa do nosso sistema nervoso central, e sua produção pode ser estimulada, por exemplo, pela prática de exercícios físicos.
E o que tudo isso tem a ver com a maconha?
A maconha — ou canabis, marijuana, erva — produz fitocanabinoides (os canabinoides de origem vegetal), que interagem com os receptores do nosso sistema endocanabinoide, como o CB1 e o CB2.
Essa interação pode gerar diversos efeitos, como: prazer, euforia, analgesia e relaxamento.
Tudo isso abre espaço para desenvolver fórmulas seguras, testadas e bem dosadas, com potencial de modular desequilíbrios internos que estejam relacionados a sintomas como ansiedade, insônia e depressão.



Muito interessante sua abordagem sobre o assunto, que deve ser tratado com seriedade para um desenvolvimento medicinal